Um caminho para as “Mariazinhas” – considerações psicanalíticas
Palavras-chave:
psicanálise, racismo, discriminação, preconceitoResumo
Através deste artigo, buscamos analisar como as inscrições do fenômeno do racismo operam na constituição subjetiva das meninas negras. Encontramos um pequeno número de pesquisas que se detêm nessa temática e nessa população específica. Para analisar tais inscrições, apoiamo-nos na teoria psicanalítica, principalmente na discussão dos conceitos de ideal de ego, ego ideal, identificação e narcisismo. A heterogeneidade e a complexidade do tema apontam para a necessidade de dialogar com diferentes áreas do conhecimento, como história, antropologia, sociologia e psicologia social, para contextualizá-lo e circunscrevê-lo à realidade brasileira. Assim, aos conceitos psicanalíticos juntam-se os conceitos de estigma, estereótipo, discriminação racial e humilhação social. Partimos do pressuposto de que vivemos um modelo de racismo no qual o grupo formado por sujeitos brancos procura subjugar o grupo étnico-racial negro na ânsia de manter sua hegemonia e consequente dominação e/ou exclusão do grupo considerado minoritário. A especificidade deste trabalho apresenta a discussão da beleza negra e a apropriação do corpo negro como elementos fundamentais para a discussão do sofrimento psíquico, de desestabilizações narcísicas infligidas àqueles que trazem no corpo a marca da “imperfeição”, da “feiura”, da menos- -valia. Procuramos ainda apontar caminhos tanto para as meninas rumo à constituição de sua subjetividade quanto para a psicanálise e psicanalistas brasileiros, para que atentem ao silêncio que grita e ao não dito que permeiam as relações raciais.
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